Sessenta acordos comerciais esperados na Conferência de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano

Sessenta acordos comerciais esperados na Conferência de Tóquio sobre o Desenvolvimento Africano

26/08/2016 fonte “Jeune Afrique”

Três anos após sua quinta edição em Yokohama, que viu o Japão anunciar um programa de investimentos para o continente africano de 24 bilhões de Euros durante de 5 anos,  a Sexta Conferência Internacional de Tóquio para o Desenvolvimento Africano terá lugar em Nairobi, no Quénia, a 27 e 28 de Agosto, durante a qual os organizadores esperam a assinatura de sessenta diferentes protocolos e acordos comerciais.

O Primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e vários membros do seu governo vão participar nesta primeira edição fora do Japão, assim como cerca de 80 empresários e personalidades japonesas e trinta chefes de Estado africanos, entre os que se encontram o presidente queniano Uhuru Kenyatta e o seu homólogo Sul-Africano Jacob Zuma, com quem Abe vai ter uma reunião bilateral. “A pedido dos países africanos, um grande número de representantes do sector privado vão fazer parte da delegação”, diz Shu Nakagawa, um funcionário do Ministério das Relações Exteriores japonês.

Esta é a primeira vez que a Conferência terá lugar fora do arquipélago, como um compromisso adicional de Tóquio para os seus parceiros africanos para lhes permitir uma melhor adaptação a este evento realizado pela primeira vez em 1993. “A força do Japão é a sua tecnologia de alta qualidade e o treino de pessoal”, insistiu o primeiro-ministro japonês na quinta-feira, no momento da partida para o Quénia.

São três os temas principais que vão orientar os trabalhos para elaborar o que será a “Declaração de Nairobi”: o desenvolvimento económico (que inclui a construção de infra-estruturas, formação de pessoas e melhora da produtividade), um componente de saúde, incluindo um projecto de segurança-social para todos, e estabilidade social.

No final de 2015, com 687 empresas japonesas activas em África, o Japão rivaliza com a China no desempenho de um papel de liderança no financiamento e na construção de novas infra-estruturas em África, mas mais do que protagonizar uma batalha de verbas, Tóquio é conhecido localmente como um fornecedor de melhor qualidade, mesmo que seja mais lento e que desenvolva projetos de menor escala do que Pequim.

“O Japão sabe competir com a China, mas como não pode equiparar-se financeiramente, centra-se na qualidade”, analisa Koichi Sakamoto, professor de estudos de desenvolvimento regional na Universidade Toyo, em Tóquio.

A China por seu lado contra-ataca, afirmando que “tem sido o maior inimigo imaginário do Japão em sua estratégia diplomática na África”, observa Lu Hao, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, que considera que “o Japão vê agora a África densamente povoada como o último mercado a conquistar”.

Se, para o cidadão comum africano, o Japão se materializa actualmente pela presença maciça dos robustos veículos usados Toyota, as marcas japonesas aspiram a implantar-se com mais intensidade, mas sendo cautelosos por causa de vários riscos.

Um exemplo claro é o de Panasonic, que planeia desenvolver smartphones especialmente concebidos para os países africanos, embora o gigante da electrónica tenha deixado de promovê-los nos países ricos.