Relatório do BIS: mercados emergentes expostos a choques externos por uma dívida maior

Relatório do BIS: mercados emergentes expostos a choques externos por uma dívida maior

20/09/2016 fonte “Financiero”

No seu relatório anual, o Banco de Pagamentos Internacionais (Bank for International Settlements – BIS) alertou para o facto de que os emissores de dívida dos mercados emergentes estão a expôr as suas moedas a uma maior volatilidade ao permitir que as verbas de financiamento (os empréstimos em Dólares) superem o valor das suas reservas.

O BIS, que está sediado na cidade suíça de Basiléia, actua como um fórum global para 60 bancos centrais. A sua missão é servir os bancos centrais na busca de estabilidade monetária e financeira, promover a cooperação internacional nessas áreas e actuar como um banco para os bancos centrais.

No referido relatório, publicado no sábado passado, o BIS afirma que as empresas dos mercados em desenvolvimento, incluídas as estatais, acumularam 3,2 biliões de Dólares de dívida.

“Em muitos casos, a dívida crescente em moeda estrangeira não foi igualada por activos e rendimentos em divisas”, reporta o relatório do BIS. “Existe um grande risco de que os altos e baixos do fluxo de capital causem grandes modificações nos tipos de câmbio”.

As economias emergentes que contam com um importante apoio dos investidores estrangeiros estão muito expostas a câmbios de ânimo bruscos e a saídas dos mercados monetários.

O Templeton Global Bond Fund, um dos maiores investidores em mercados emergentes do mundo, liderou um êxodo a partir da Polónia no primeiro semestre do ano ao reduzir as participações do fundo de 44 mil milhões de Dólares para ficar com uma carteira equivalente a 3,6% dos seus investimentos no fecho de Junho, de 7,4% com que terminou o terceiro trimestre de 2015.

Por outro lado, o BIS refere também que os bancos que emprestam aos mercados emergentes também reavaliam os seus investimentos quando a depreciação da moeda local cria dívidas mais elevadas.

As economias emergentes, que representam cerca de 80% do crescimento do comércio e da produção mundiais desde 2008, viram, relativamente às exportações, a relação entre a dívida em Dólares alcançar um nível máximo de 49% no fecho do ano passado, dos 30% observados nos nove anos anteriores.

Do relatório consta também que as obrigações em Dólares também aumentaram em relação à quantia das reservas oficiais de divisas.