Parques solares que flutuam sobre a água

Parques solares que flutuam sobre a água

Fonte: Economia Digital
13/12/2018

A companha chinesa Sungrow Power Supply está a construir a que será a planta solar flutuante mais potente, com capacidade para gerar 150 MW. A mesma companhia construiu e pôs em marcha no ano passado a primeira instalação deste tipo. Ao contrário do habitual, neste tipo de plantas solares os painéis fotovoltaicos não estão instalados sobre terra firme, antes flutuam sobre uma superfície de água.

Embora seja certo que o rendimento económico das plantas solares flutuantes é algo inferior ao das equivalentes instaladas sobre terra firme devido à maior complexidade e custo da instalação, está demonstrado que elas aproveitam duplamente os recursos e têm várias vantagens.

Por um lado, os painéis solares resultam mais eficientes quando se colocam sobre a água do que sobre a terra. Nas plantas solares terrestres, os painéis não se refrigeram e conforme vão adquirindo temperatura devido à incidência dos raios do sol — que utilizam para produzir electricidade — a sua eficiência vai-se reduzindo, pelo que produzem menos. Nas plantas flutuantes contraria-se em parte o efeito do aquecimento da radiação solar térmica e os painéis solares refrigeram-se de duas maneiras: a água circundante que se evapora reduz a temperatura ambiente e o excesso de calor se dissipa através dos seus elementos metálicos que estão em contacto com a água. Concretamente, um painel solar produz até 10% mais de electricidade devido ao efeito de refrigeração por evaporação.

Outra variável que influencia a eficiência da planta energética é a proximidade da massa de água, porque facilita a limpeza da superfície dos painéis solares. E dado que os painéis solares flutuam sobre a água, o nível da barragem ou da represa de água não afecta a produção de electricidade, explica a companhia.

E por outro lado, além da eficiência, estas plantas não provocam um problema de ocupação de solo útil: os parques solares sobre superfícies de água não impedem a utilização da água para consumo, regadio ou indústria e a câmbio a superfície que ocupa uma barragem, por exemplo, é usualmente um espaço desaproveitado (excepto naqueles casos em que se permitam usos e actividades recreativas). A sua instalação pode ser feita, inclusive, nas massas de água que não são aptas para consumo nem possam ser utilizadas para regar cultivos devido aos altos níveis de minerais e químicos, como por exemplo, as águas que inundam uma antiga mina de carvão, como é o caso desta nova planta solar.