OCDE: os governos devem impulsionar a despesa para evitar “armadilha de baixo crescimento”

OCDE: os governos devem impulsionar a despesa para evitar “armadilha de baixo crescimento”

02/06/2016 fonte “América Economía”

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) afirma que a economia mundial está estagnada numa “armadilha de baixo crescimento”, e que crescerá em 2016 no seu ritmo mais lento desde a crise financeira por segundo ano consecutivo.

Com as empresas reticentes no momento de investir e os consumidores cautelosos sobre a despesa, a economia mundial crescerá apenas 3% este ano, estimou o organismo, instando os governos a impulsionar a despesa. Os dados não serão melhores que os do ao passado – que foi o pior desde 2009 – embora o crescimento venha a subir modestamente até aos 3,3% no próximo ano, segundo as suas perspectivas económicas.

Dado que os países da OCDE crescem em média metade do seu potencial estimado, fariam falta 70 anos para duplicar os standards de vida, o dobro da taxa de há duas décadas.

A economista chefe da OCDE, Catherine Mann, advertiu que os países não podem depender só dos bancos centrais para impulsionar o regresso a taxas de crescimento mais altas, e disse que o equilíbrio entre os benefícios e os riscos das políticas monetárias excepcionalmente relaxadas está inclinar-se para o lado dos riscos. Assim, opina Mann, os governos não deveriam hesitar no momento de destinar dinheiro a iniciativas que impulsionem o crescimento, como a educação e as infra-estruturas, financiando uma despesa maior graças a taxas de juro baixas em muitos países.

“O âmbito das baixas taxas de juro criado pelos bancos centrais dá uma margem fiscal aos governos e o que dizemos é que deveriam usá-la”, acrescentou Mann.

Referindo-se a casos concretos, embora a OCDE não tenha recortado as suas previsões de crescimento mundial em relação à última actualização (em Fevereiro passado), disse que as perspectivas para os Estados Unidos tinham piorado. O organismo recortou de 2% a 1,8& a perspectiva de expansão dos Estados Unidos, uma vez que enfrenta uma procura exterior débil e uma escassez de investimentos no sector do petróleo e minérios.

Em relação ao Reino Unido, a OCDE reiterou a advertência de o país vir a sofrer uma forte desaceleração no seu crescimento se os votantes optam no referendo por abandonar a União Europeia.