O FMI alerta sobre o débil crescimento mundial e insta o G20 a tomar medidas

O FMI alerta sobre o débil crescimento mundial e insta o G20 a tomar medidas

02/09/2016 fonte “Expansión”

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou hoje um relatório prévio à celebração da cimeira de líderes do G20, que se realizará na cidade chinesa de Hangzhou nos próximos dias 4 e 5 de Setembro, onde alerta sobre a debilidade do crescimento da economia mundial e das “dinâmicas negativas” que se prevêem a longo prazo.

O relatório refere que os dados recentes “mostram uma actividade débil, um aumento mais lento do comércio e uma muito baixa inflação”, o que aponta para um “ritmo de crescimento mundial este ano inclusive mais modesto” daquilo que foi anteriormente adiantado, e que os riscos associados a esse débil crescimento são uma maior redução dos incentivos para investir e uma “desaceleração do comércio”. O documento adverte também sobre uma série de “dinâmicas negativas” que irão ocorrer a longo prazo, como o envelhecimento da população, o baixo aumento da produtividade e uma “ansiedade crescente acerca da globalização”.

O Fundo desceu em Julho uma décima as suas perspectivas de crescimento mundial para este ano e para 2017, que situaram em 3,1% e 3,4 %, respectivamente, fundamentalmente devido aos efeitos da vitória do “sim” no referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (“Brexit”).

Numa roda de imprensa, Helge Berger, o autor do relatório divulgado hoje, não quis adiantar se essas projecções descerão novamente em Outubro, quando o FMI celebre a sua assembléia anual em Washington, mas antecipou que algumas economias avançadas como a dos Estados Unidos vão crescer este ano “menos do esperado” e que, no caso das emergentes, se vêm “sinais mistos”.

O organismo insta, pois, os países do G20 a tomar medidas. As conclusões do relatório referem que “é urgente mais progresso” por parte dos membros do G20, sobretudo porque o grupo “não está a cumprir” a meta de elevar o Produto Interno Bruto (PIB) colectivo em 2 % mais para 2018.

Além disso, enquanto a procura for “ainda insuficiente”, o FMI recomenda os governos que adoptem políticas monetárias e fiscais com vista a “apoiar o crescimento a curto prazo” , que ao mesmo tempo “acelera o impacto positivo das reformas estruturais”.

Num un artigo publicado também hoje, a directora gerente do FMI, Christine Lagarde, alertou sobre as ameaças actuais “contra a abertura económica” e enfatizou que, “sem acções políticas contundentes, o mundo poderia sofrer um crescimento decepcionante durante muito tempo”. “É fácil culpar o comércio de todos os males que afectam um país. Mas travar o livre comércio seria parar um motor que gerou rendimentos de bem-estar sem precedentes em todo o mundo durante muitas décadas”, argumentou Lagarde, que assistirá à cimeira dos G20.