Investigadores científicos descobrem como obter electricidade das gotas de chuva

Investigadores científicos descobrem como obter electricidade das gotas de chuva

Fonte: Economía Digital
17/12/2018

As gotas de chuva caem a velocidades entre 15 e 30 km/h, dependendo do seu tamanho que varia entre umas décimas de milímetro e uns poucos milímetros. Embora a sua massa seja muito pequena, a energia mecânica que se liberta quando uma gota de chuva golpeia uma superfície sólida pode ser aproveitada para produzir electricidade.

Partindo dessa premissa, um grupo de investigadores do Georgia Institute of Technology criou uma superfície de vidro que é capaz de produzir electricidade ao ser golpeado pela chuva, ou ao deformar-se ligeiramente devido à pressão do ar. Os pára-brisas dos carros são a aplicação mais evidente, embora também pudesse servir como cobertura para painéis solares, o que permitiria obter electricidade dos painéis solares também quando chove, e inclusive de noite.

O vidro desenvolvido pelos investigadores baseia-se no efeito tribo-eléctrico pelo qual se produz uma corrente eléctrica quando dois materiais entram em contacto. O vidro está formado por duas capas: uma para captar a energia cinética das gotas de chuva quando impactam – para esta primeira capa os investigadores criaram geradores nanométricos que aproveitam a carga positiva que as gotas de chuva obtêm do contacto com o ar ao cair das nuvens até impactarem no pára-brisas do carro. E uma segunda capa, que consta de duas lâminas de plástico carregadas que se mantêm separadas entre si, para aproveitar a resistência ao ar ao captar a força do vento. Quando o veículo acelera, a pressão do ar junta as duas capas, o que cria uma corrente eléctrica,” explicam os investigadores. As gotas de chuva contêm sais que se dividem em iões positivos e negativos, assim que, como resultado, há capas separadas de iões positivos e negativos que agem como um condensador para armazenar energia.

Actualmente a produção de qualquer destes projectos em fase de desenvolvimento é limitada, cerca de 130 miliwatts por metro quadrado de vidro (pouco mais do que consome um telemóvel/celular em repouso), mas é um avanço para a criação de painéis fotovoltaicos eficazes em diferentes condições meteorológicas.

Todos estes projectos continuam em desenvolvimento, mas uma vez comprovada a geração de energia, os investigadores procuram agora formas de armazenar localmente a electricidade obtida deste modo através, por exemplo, de super-condensadores transparentes incorporados no vidro.