Fábrica portuguesa trabalha 100% a energia solar

Fábrica portuguesa trabalha 100% a energia solar

13/06/2016 fonte “DN”

A fábrica de mobiliário de escritório, geriátrico, hospitalar, escolar e de hotelaria de Lordelo, Paredes (Portugal), é a primeira do mundo a conseguir o feito de só depender de si própria para ter recursos energéticos.

Exatamente 1485 painéis solares, capazes de produzir, cada um, 400 kilowatts por hora, fazem da Wood One uma indústria pioneira a nível mundial: é a primeira fábrica autossustentável a energia solar. A empresa, que há oito anos já esteve à beira da falência, prepara-se agora para crescer exponencialmente com as novas instalações e novos mercados.

O investimento de quase dois milhões de Euros foi comparticipado pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) e permitiu “aumentar a facturação 300%”, como recorda Manuel Luís Martins, 52 anos, CEO da Wood One, que começou por ser director comercial noutra empresa até que, há oito anos, decidiu trabalhar por conta própria.

Mal abriram as candidaturas do Portugal 2020 (acordo de parceria adoptado entre Portugal e a Comissão Europeia que reúne a actuação dos cinco Fundos Europeus Estruturais e de Investimento – FEDER, Fundo de Coesão, FSE, FEADER e FEAMP – no qual se definem os princípios de programação que consagram a política de desenvolvimento económico, social e territorial a promover em Portugal entre 2014 e 2020, cujos princípios de programação estão alinhados com o Crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo, prosseguindo a ESTRATÉGIA EUROPA 2020), a Wood One já tinha a candidatura preparada e foi das primeiras a serem aprovadas. Desta vez, 6,3 milhões de Euros foram investidos na construção das novas instalações de 11 mil metros quadrados e nos painéis solares, na compra de máquinas de última geração e na contratação de mais três dezenas de funcionários. “Já estamos com 53 postos de trabalho e vamos ter de contratar outros dez em breve”, anuncia Manuel Luís Martins, um CEO que se congratula de “dar aumentos salariais antes de serem pedidos” e “sempre que um trabalhador domina máquinas novas ou cumpre objectivos”.

Tal como a proximidade da administração e dos trabalhadores – o gabinete do CEO abre directamente para a área de produção – foi considerada “fundamental para manter a equipa motivada e dedicada”, a autossuficiência energética da fábrica era uma necessidade evidente: “Só em energia eléctrica, temos uma conta mensal de sete mil Euros. A poupança com energia solar é mais do que relevante”, aponta o CEO, explicando que também as aparas de madeira recolhidas nas máquinas de corte de madeira são aproveitadas para aquecer as estufas de pintura e a própria fábrica no Inverno.

“A única coisa que me tem aborrecido é que o contrato [Portugal 2020] não me permite doar a energia que sobra durante o fim de semana quando não estamos a trabalhar. Tenho desgosto em pensar no desperdício, por isso estou a pensar criar postos de carregamento de veículos eléctricos dentro da empresa para, ao fim de semana, as frotas das autarquias poderem vir aproveitar gratuitamente o que produzirmos. Caso contrário, temos de desligar os painéis para não haver sobrecarga”, confidencia o empresário.

Neste ano, a Wood One deverá facturar perto de seis milhões de Euros só no mercado interno. E estão em vista dois potenciais contratos nos Emirados Árabes Unidos (EAU) – um de 8,5 milhões de Euros para mobilar 325 apartamentos e outro de 25 milhões de Euros para equipar um hotel de 40 pisos – que podem fazer disparar os números, se não neste ano, pelo menos no próximo. “Em 2015 só exportamos 20% da produção, neste ano vamos subir para 35% e, se estas encomendas se concretizarem, então será um valor superior”, contabiliza o CEO, identificando os Emirados Árabes Unidos, a Europa (Espanha, França e Reino Unido), África (Angola e Moçambique) como principais mercados de destino. Rússia e América Latina estão identificados como mercados emergentes para a empresa.

No que respeita a produtos, o mobiliário de escritório e hospitalar continua a ser o que mais contribui para a facturação da empresa (que é uma das frequentes fornecedoras do Estado), embora “a hotelaria esteja a crescer a passos largos para se tornar o segmento número um”.