Espanha: a carteira internacional das grandes construtoras espanholas supera os 200.000 milhões de Euros

Espanha: a carteira internacional das grandes construtoras espanholas supera os 200.000 milhões de Euros

22/08/2016 fonte “Expansión”

Os seis grandes grupos espanhóis de construção infra-estruturas e serviços cotados na Bolsa fecharam os primeiros seis meses de 2016 com uma carteira de obras pendentes de quase 267.340 milhões de Euros. Este montante representa um aumento de 16% em relação a Dezembro de 2015, ao somar quase 40.000 milhões de Euros e procede, em grande parte, dos projectos internacionais conseguidos no primeiro semestre do ano por ACS, Acciona, FCC, Ferrovial, OHL e Sacyr.

Devido à estagnação no sector da obra pública em Espanha nos últimos anos, as empresas foram empurradas para redobrar os seus esforços na adjudicação e contratos de projectos internacionais que compensem a queda do mercado nacional.

Assim, e segundo dados facilitados pelas próprias empresas, a carteira de adjudicações no exterior das seis construtoras ascendia nos finais do passado mês de Junho a 203.264 milhões de Euros. Este montante representa 76% da sua carteira total de obras e serviços, quase 1,5% mais que em Dezembro e 4% mais que em Junho de 2015.

Das seis companhias, OHL e ACS são as que possuem maior volume de contratos internacionais. O grupo presidido por Juan Villar-Mir possui uma carteira de obras a curto e longo prazo de 85.333 milhões de Euros, dos que 94,8% procedem do exterior. A empresa obtém 80% dos seus lucros do exterior, tendo-lhe sido adjudicados contratos no Chile, Peru e Estados Unidos, entre outros.

Por seu lado, o grupo ACS tinha até ao passado mês de Junho 84% da carteira de obras pendentes nos mercados internacionais, uma percentagem que sobe a 94,1% no sector da construção, com a América do Norte e a região Ásia-Pacífico (principalmente Austrália e Nova Zelândia) como as principais zonas de actividade. Entre as adjudicações mais importantes estão a remodelação da ponte Harbor sobre o canal Corpus Christi na auto-estrada US181 no Texas, o projecto Echowater para ampliar a estação de tratamento de águas de Sacramento (Califórnia), nos Estados Unidos, e a construção da segunda fase do combóio ligeiro Gold Coast entre Southport e Helensvale (Queensland), na Austrália.

Ferrovial superou os 36.000 milhões de Euros de carteira, o que representa 16% mais que em Dezembro de 2015, dos que quase 79% procedem do exterior, graças à contribuição da empresa australiana Broadspectrum (adquirida em Maio passado) e as adjudicações nalguns dos seus principais mercados. Delas se destacam a construção de um tramo do Trem de Grande Velocidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a circunvalação da cidade Olstyn, na Polónia, e a manutenção de 370 quilómetros de estradas no Reino Unido.

No fecho do primeiro semestre, Sacyr tinha aumentado a sua carteira total em quase 10% em relação ao mesmo período do ano passado, até aos 26.381 milhões de Euros. Desse montante, 46% referem-se a obras internacionais (6% mais que em 2015). E 48,7% da sua carteira estão concentrados no sector das concessões (quase seis de cada dez Euros são por contratos no exterior), impulsionada por adjudicações como a construção e exploração durante 43 anos da auto-estrada de portagem Roma-Latina, em Itália, orçamentada em 2.800 milhões de Euros.

A carteira de obras de Acciona sobe, por seu lado, 19% em relação ao primeiro semestre de 2015, ao somar 18.081 milhões, sendo que 38% desse montante diz respeito a contratos internacionais, 4% mais que em Junho de 2015. A maior parte corresponde ao sector industrial e de construção, onde cresceu 28,6% pelas adjudicações internacionais. A ampliação do metro do Dubai por 2.600 milhões de Euros é uma dessas adjudicações, o que fez aumentar o volume da carteira exterior até aos 78% do total do negocio, face aos 68% de 2014. O grupo ganhou terreno no mercado latino-americano, crescendo 47%, o que representa 29% do total.

Do conjunto, FCC é o único grupo empresarial que reduz a sua carteira de obras em 3%, uma descida motivada principalmente pela queda da construção em Espanha. No entanto, a sua carteira internacional ganha peso e alcança os 45,7%, mais 4% do que em Junho de 2015.