Empresas petrolíferas esperam incentivos para realizar investimentos milionários em gás e petróleo na Argentina

Empresas petrolíferas esperam incentivos para realizar investimentos milionários em gás e petróleo na Argentina

27/06/2016 fonte “América Economía”

Muitas empresas petrolíferas estão à espera de novas medidas de incentivo à produção de gás e crude na Argentina. O sector atravessa um forte déficit energético e recorre cada vez mais às importações para abastecer-se.

De acordo com fontes da indústria, o país, que perdeu a auto-suficiência energética em 2010, vai importar este ano um recorde de 90 carregamentos de Gás Natural Liquefeito (GNL), além de receber gás natural proveniente da Bolívia e do Chile para assegurar o abastecimento. Uma medida que não é suficiente uma vez que em Maio o sector teve que recortar o fornecimento às indústrias devido ao facto do Inverno estar a ser mais frio do que os anteriores. 

A Argentina renovou há um mês um plano de incentivo para novos projectos de gás natural, beneficiados com um preço estímulo de 7,5 milhões de Dólares americanos por milhão de BTU, que estará em vigor até 31 de Dezembro de 2018. O país paga actualmente uma média de 5,2 Dólares por milhão de BTU pelo gás natural liquefeito que importa.

Mas outro programa destinado a estimular a produção em poços existentes, conhecido como “Plano Gás” e que começou em 2013, expira no próximo mês de Outubro e como ainda não foi renovado, fez disparar as incertezas entre as empresas investidoras.

O “shale gas” e o “tight gas” são hidrocarbonetos não convencionais que se encontram numa formação geológica com cerca 30.000 quilómetros quadrados situada na província de Neuquén, denominada Vaca Muerta, que poderia albergar uma das maiores reservas destes hidrocarbonetos do planeta.

“Muitas empresas estão a reclamar uma definição do mercado de gás natural para o futuro para decidir-se a investir”, afirmou uma fonte de uma empresa do sector. “É necessário que o Governo estabeleça um determinado valor para os próximos anos para que as empresas possam definir um horizonte; outra opção é que o Governo se comprometa de alguma forma, através de alguma lei, a não intervir nos mercados, permitindo dispor livremente do gás”, acrescentou a mesma fonte.

Uma terceira fonte do sector coincidiu sobre o facto da indústria energética precisar de uma maior previsibilidade.

Antes da implantação do “Plano Gás”, no princípio de 2013, o Governo pagava uma média de 2,3 dólares por milhão de BTU, um preço muito abaixo dos preços internacionais, o que desincentivou a produção. Se bem que a renovação do plano pelo Governo há um mês é bom sinal, “não é aquilo que estamos à espera”, afirmou por seu lado outra fonte de outra empresa do sector.

No início deste ano, o Governo comunicou às empresas energéticas que iria saldar dívidas do subsídio à produção de quase 2.000 milhões de Dólares com títulos de obrigações soberanas. “Há muita dívida dos 7,5 milhões de Dólares (por milhão de BTU) que prometeram que seriam pagos com títulos de obrigações; no entanto, isso acaba de concretizar-se. O que queremos é que paguem o que devem primeiro”, afirmou a fonte.

Segundo alguns analistas, o interesse dos investidores recai hoje sobre o gás não convencional, tanto “shale” como “tight gas”, devido ao esquema de incentivos impulsado pelo Governo, mas o pagamento com títulos de obrigações não é bom sinal para o mercado.