Bancos centrais expectantes dos resultados do “Brexit” no Reino Unido

Bancos centrais expectantes dos resultados do “Brexit” no Reino Unido

16/06/2016 fonte “Expansión”

Os bancos centrais do mundo mantêm-se expectantes perante a proximidade da data da votação no Reino Unido para abandonar a União Europeia – “Brexit, como é -vulgarmente conhecido – e alguns preparam-se para a eventual instabilidade do mercado financeiro.

Os analistas de outros bancos continuam a prever que os britânicos votem por permanecer na UE, enquanto que as sondagens dão vantagem ao “Brexit”. Segundo os analistas, se no dia 23 de Junho o Reino Unido vota a favor do “Brexit”, ver-se-ão afectados os tipos de câmbio, a dívida soberana e os diferenciais com a dívida alemã a dez anos, usada como referência.

O maior temor ao referendo é o possível êxodo de divisas do país, o que iria parar os mercados cambiários e iria afectar o crescimento se as empresas não obtêm o acesso ao capital estrangeiro que necessitam para negociar diariamente.

Um relatório de Bobby Vedral, director de estratégia na área das divisas de Goldman Sachs, lança o pânico face ao “Brexit”.

Perante esta possível tempestade, “os bancos centrais (em primeiro lugar o Banco de Inglaterra, mas também outros) estarão preparados para animar a situação [do mercado], com provável apoio às notas promissórias do Governo e talvez às notas promissórias corporativas”.

Isto fará, segundo Bobby Vedral, com que “o foco da correcção se produza em activos que não vão ser apoiados [pelos bancos centrais] – principalmente Bolsa e divisas, provocando um fortalecimento do Yen e do Franco Suíço, e debilidade da Libra e provavelmente do Euro -, e também em mercados emergentes. A primeira reacção centrar-se-á provavelmente na venta de activos britânicos, mas cedo ficará claro que este é um problema europeu”.

A procura de refúgio nos Estados Unidos perante o possível “Brexit” já se nota no mercado, com a rentabilidade das notas promissórias americanas a descer ao ritmo da libra, referia ontem outro relatório da Société Générale. Também explica a recente queda a pique da rentabilidade das notas promissórias alemãs.

Entre as iniciativas para paliar a situação, manejam-se os acordos de provisão de liquidez (linhas swap), que permitirão o intercâmbio de moedas, seja entre o Banco de Inglaterra e o Banco Central Europeu (BCE), como com outras entidades centrais. Através das chamadas linhas swap, um banco central pode aceder a uma moeda de uma instituição no exterior ao tipo de câmbio vigente, mas essas transacções elevam as taxas de juros.

Perante a incerteza face ao “Brexit”, funcionários do BCE informaram que a entidade se comprometerá publicamente a apoiar os mercados financeiros, em coordenação com o Banco de Inglaterra.

O economista chefe de Deutsche Bank para a Alemanha, Stefan Schneider, garantiu que o BCE não tem qualquer interesse em piorar nem as condições do mercado nem as de financiamento, que são essenciais para a sua política monetária. Acrescentou ainda que uma das tarefas de um banco central é garantir a estabilidade do mercado cambiário quando está em perigo.

Por outro lado, os analistas do banco americano em Londres vêm “altamente provável” que o Reino Unido vote por abandonar a UE, e antecipam uma tempestade “global” nos mercados.

O mais preocupante para Bobby Vedral e a sua equipa de Goldman Sachs é que embora o “Brexit” seja um risco conhecido, o mercado não está preparado. Segundo o último inquérito entre gestores de fundos de Merrill Lynch, 30% vê o “Brexit como o maior risco global, mas apenas 5% acredita que venha a produzir-se. Isto faz, segundo Goldman Sachs, com que a vitória do “Brexit” seja uma verdadeira surpresa que exigirá um acentuado ajuste das carteiras e movimentos no mercado”. De acordo como o relatório, produzir-se-á uma fuga global dos activos de risco, com uma forte correcção nas bolsas e na Libra, que se estenderá a toda a Europa.

Curiosamente, a médio prazo, os analistas de Goldman Sachs indicam que embora ganhem os apoiantes da saída da UE, o facto poderia não traduzir-se num “Brexit” real. “Outro possível cenário é que este voto desencadeie um novo tratado europeu que reflicta a nova realidade política de círculos concêntricos que se movem com diferentes velocidades em vez de procurar todos um mesmo objetivo”.