As (grandes) ambições de São Tomé e Príncipe em infra-estruturas

As (grandes) ambições de São Tomé e Príncipe em infra-estruturas

27/06/2016 fonte “Jeune Afrique”

Um porto de águas profundas e um aeroporto internacional digno desse nome? Será para muito em breve. Terminou-se o jogar às miniaturas: para estimular sua economia, o arquipélago pensa em grande.

Em Fernão Dias, no norte da ilha de São Tomé, a cerca de 30 km da capital, está a ser construído um porto de águas profundas. Mais um, na África Central que já tem vários? Para aqueles de Pointe Noire no Congo, de Kribi nos Camarões, em Malabo na Guiné Equatorial, juntam-se rivais do Oeste Africano, Nigéria, Gana, Costa do Marfim, Togo, etc..

Para as autoridades de São Tomé e Príncipe, no entanto, está a converter-se numa necessidade. Porque o porto da capital, localizado na Baía de Ana Chaves e gerido pela empresa pública ENAPORT, já não responde às necessidades e menos aos projectos de desenvolvimento das exportações. Pouco profundo, só pode receber navios cujo calado não exceda 3,5 m.

E a sua área de armazenamento de contentores tem uma capacidade limitada de 600 toneladas, equivalente a vinte pés (TEUs). Resultado, a maioria dos navios deve ancorar no mar, onde pequenos barcos operam para realizar o transbordo, muitas operações que fazem com que o trânsito seja lento, à partida e à chegada.

O objectivo é fazer do arquipélago uma plataforma aduaneira e fiscal

Mas a razão de ser deste futuro porto vem principalmente do desejo do governo de desenvolver as actividades de transbordo.

“O arquipélago goza de uma posição estratégica no Golfo da Guiné, a cerca de 300 km do continente Africano, numa área com perto de 450 milhões de pessoas e que agrupa os países mais ricos da África Central. Para eles, nós estamos idealmente situados, na rota para a Europa e para as Américas”, entusiasma-se Adelino Cardoso, director de estudos do Ministério das Infra-estruturas. Para apelar aos armadores, o objectivo é fazer do arquipélago uma plataforma aduaneira e fiscal. A administração está a trabalhar para actualizar esses serviços.

Quem vai financiar a construção do novo porto? Em Outubro de 2015, o governo assinou um memorando de entendimento com a China Harbour Engineering Company (CHEC) para a concepção e realização das obras, cuja entrega está programada para 2019. A CHEC deve investir pelo menos 120 milhões de Dólares, de um custo total de 800 milhões. O governo de São Tomé pretende diversificar os seus parceiros, pelo que o orçamento ainda não está concluído.

“Para evitar que o tráfego passe pela rota”, diz Adelino Cardoso, serão implantados portos costeiros pequenos, de cabotagem, ao longo da costa, e os serviços do porto de São Tomé (que se tornará um porto interior e de pesca) serão melhorados. Localizado na costa noroeste da ilha, o da pequena cidade de Neves (considerada o centro industrial do país) recebe agora a importação de combustíveis e serve como porto de pesca. Se o negócio do petróleo cresce, as suas infra-estruturas serão reforçadas.

Por último, na ilha do Príncipe, o porto na Baía de Santo António, que só pode receber navios com um calado máximo de 1,7 m, deverá também ser reabilitado.

Projectos encorajadores no transporte aéreo e marítimo

Também no programa está a modernização do aeroporto internacional. É necessário responder ao desenvolvimento do comércio e do turismo (incluindo o existente entre as duas ilhas), assim como atrair clientes na África Central e na África Ocidental.
Está previsto o alargamento da sua pista, muito curta (2200 m), de modo a poder receber aeronaves de grande porte tipo Airbus A310, e a construção de um novo terminal e de um hangar.

Por agora, a capital, servida por várias companhias estrangeiras, como a portuguesa TAP e a Angolana TAAG está ligada a Lisboa, Libreville, Accra, Luanda e Malabo. A STP Airways, a companhia aérea nacional, realiza as ligações com Portugal e com ilha de Príncipe, onde já foram executadas as obras de extensão (1 750 m) da pista do aeroporto de Santo António, graças a um investimento de 8 milhões de Euros provenientes dos fundos sul-africanos Here Be Dragons (HBD), de Mark Shuttleworth, muito activos no sector do turismo. O objectivo é passar de quatro a sete vôos semanais entre as ilhas e derrubar os preços, que permanecem elevadas entre São Tomé e Santo António, a capital do Príncipe.

 Actualmente é necessário pagar 200 Euros por um bilhete de ida e volta por via aérea. Uma soma que não é acessível a todos os orçamentos, num país onde o salário mínimo mensal não excede os 50 Euros. É, portanto, de barco que os santomenses, e também alguns turistas, viajam de uma ilha para outra. Uma viagem com duração de pelo menos cinco horas (contra os trinta minutos de avião), e que depende do mar, muitas vezes agitado nesta parte do Golfo da Guiné.

As condições de viagem e segurança têm melhorado, no entanto, graças a uma ligação marítima realizada por HBD. Para aproximar as ilhas irmãs, o Estado adquiriu também recentemente dois ferries. Resta encontrar um operador privado para iniciar a sua exploração, coisa que poderia ocorrer até o final do ano.