As energias renováveis continuem a ganhar a corrida dos preços

As energias renováveis continuem a ganhar a corrida dos preços

 14/06/2016 fonte “América Economía”

O mais recente relatório de prognóstico a longo prazo realizado por Bloomberg New Energy Finance (BNEF) e intitulado New Energy Outlook 2016 (NEO) refere que embora  os preços de gás e do carvão se mantenham provavelmente baixos, não poderão prevenir a transformação fundamental do sistema eléctrico mundial nas próximas décadas em fontes renováveis, como eólicas ou solares.

Em comparação com a projecção do ano passado, o relatório mostra preços globais significativamente menores para o carvão, o gás e o petróleo, mas também mostra uma pronunciada diminuição nos custos da energia solar e eólica.

O relatório NEO 2016 traz-nos vários dados, prognósticos e conclusões sobre a geração e a utilização de energias. Por um lado, refere que vão manter-se baratos os preços do gás e do carvão, reduzindo os seus prognósticos de longo prazo em 30 y 33%, respectivamente, reflectindo um acentuado excesso de oferta para ambas as matérias primas. Isto reduz o custo da geração de energia baseada na queima de gás e carvão.

Por outro lado, menciona que os custos das energias eólicas e solares caem fortemente. As despesas de geração por MWh irão cair, até 2040, 41%, no que se refere à energia eólica off-shore e 60% na solar fotovoltaica, convertendo-se estas duas tecnologias nas fontes mais baratas para produzir electricidade em muitos países durante a década de 2020 e no resto do mundo a partir de 2030.  Além disso, as energias renováveis levam uma boa parte do investimento realizado. Creca de 7,8 biliões de Dólares serão investidos em energias verdes; a eólica marinha e terrestre irão atrair 3,1 biliões de Dólares; fontes de energia solar de serviço público, em açoteias e outras fontes de pequena escala levarão 3,4 biliões; e a hidro-eléctrica, 911 milhões de Dólares.

Sobre os combustíveis fósseis, o relatório refere que eles atraem 2,1 biliões de Dólares, dado que o investimento em geração de gás e carvão irá continuar de forma predominante nas economias emergentes. Cerca de 1,2 biliões de Dólares serão destinados a desenvolver nova capacidade de geração de carvão, e 892 mil milhões a novas plantas de queima de gás.

Assim, o plano das energias fósseis vai requerer muito mais dinheiro. Acima dos 7,8 biliões, para 2040 o mundo necessitaria investir outros 5,3 biliões de Dólares em energia zero-carvão para prevenir que o nível de CO2 na atmosfera cresça acima do nível “seguro” de 450 partes por milhão estabelecido pelo Painel Inter-governamental de Mudança Climática.

O NEO 2016 refere por outro lado que vai aumentar a procura de electricidade devido à proliferação de automóveis eléctricos. Os veículos eléctricos vão implicar 2,701 TWh, ou seja, 8% da procura global de electricidade até 2040. Segundo o prognóstico, estes automóveis representarão 35% das vendas globais de veículos ligeiros novos para esse ano, equivalente a 41 milhões de carros, 90 vezes as vendas de 2015.

Em relação ao armazenamento em baterias de pequena escala, o mercado está avaliado em 250 mil milhões de Dólares. Os veículos eléctricos irão arrastar para baixo o custo das baterias de iões-lítio, promovendo a sua instalação em sistemas solares residenciais e comerciais. O armazenamento total vai aumentará fortemente de 400MWh a quase 760 GWh em 2040.

O prognóstico, que cobre o período 2016-2040, reporta notícias sobre as emissões de carbono. Um menor crescimento do PIB na China e um reequilíbrio da sua economia significará que as emissões nesse país irão chegar a um máximo em 2025. No entanto, na Índia e noutros mercados emergentes asiáticos, a ascendente geração de energia através de carvão indica que para 2040 as emissões globais encontrar-se-ão perto dos os 700 megatons, ou seja, 5% acima dos níveis de 2015. Por outro lado, na China a geração baseada no carvão seguirá uma tendência mais débil do que o que foi projectado. As alterações na economia chinesa, e a evolução para as renováveis, implicarão que em dez anos, a geração à base de carvão será de 1,000 TWh, ou seja, 21% menor, comparando as quantidades adiantadas pelo BNEF no relatório NEO de 2015.

A Índia é um país chave para a tendência futura de emissões globais. Foi prognosticado que a sua procura eléctrica irá crescer 3,8 vezes entre 2016 e 2040. Apesar de investir 611 mil milhões de Dólares em energias renováveis e 115 mil milhões de Dólares em energia nuclear nos próximos 24 anos, o país continuará a depender fortemente do carvão para cobrir a sua procura. Isto está previsto como resultado de uma triplicação das suas emissões anuais do sector eléctrico em 2040.

Seb Henbest, Chefe do BNEF para a Europa, Médio Oriente e África, e autor principal do relatório NEO 2016 comentou que “cerca de 7,8 biliões de Dólares serão investidos globalmente em energias renováveis entre 2016 e 2040, estando dois terços desse investimento destinados à capacidade de geração, mas serão necessários mais biliões de Dólares para alinhar as emissões globais com o objetivo “2 graus Centígrados” das Nações Unidas”.

Assim, conclui-se que as energias renováveis vão dominar na Europa e irão superar o gás nos Estados Unidos. As plantas eólicas, solares e hidro-eléctricas irão gerar 70% da energia na Europa no ano 2040, acima dos 32% projectados em 2015. Nos Estados Unidos, esta percentagem irá crescer de 14% em 2015 a 44% em 2040, enquanto que a do gás irá cair de 33% para 31%.