44.000 milhões da UE para travar a China em África

44.000 milhões da UE para travar a China em África

Fonte: El País
19/12/2018

Embora Europa seja ainda o primeiro investidor mundial em África, a China criou um plano para África e avança cada vez mais depressa. Essa hiperactividade china no continente obriga os líderes europeus a potenciar os fluxos económicos na região como ferramenta diplomática contra os movimentos migratórios.

Más de 50 líderes europeus e africanos e um número similar de representantes do sector privado reuniram-se em Viena para “mudar a narrativa”, nas palavras do chanceler austríaco Sebastian Kurz, e promover uma relação menos orientada ao conflito migratório. O presidente da Comissão Europea, Jean-Claude Juncker, argumentou no inicio da conferência que esta cimeira não se destinava a tratar de migrações, mas antes a estabelecer uma relação de iguais entre os dois continentes.

Ainda assim, a pressão migratória que sofrem os países comunitários fez-se notar em todo o encontro. “Existem causas profundas que explicam que uma parte da nossa juventude queira chegar à Europa. Mas não podemos abordar este fenómeno pelas suas consequências, mas antes pelas suas causas”, referiu Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana, a organização que inclui 55 membros do continente.

Para intentar combater as causas que motivam o êxodo para os países europeus, a UE pôs em marcha um plano de investimento privada com dinheiro público, que contempla mobilizar 44.000 milhões de Euros até 2020. Juncker anunciou que inclusive já há 37.000 milhões desse montante total assignados a projectos. O mecanismo público de posta em marcha deste instrumento é, no entanto, muito limitado: apenas 4.500 milhões de Euros, que se outorgam em forma de empréstimos, garantias e também de algumas subvenções a empresas interessadas em expandir-se em África.

“Não é suficiente; há que fazer muito mais”, mencionou o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, em conversa com o EL PAÍS. Referindo-se ao anúncio realizado no passado mês de Setembro pelo presidente chinês Xi Jinping de que o seu país vai destinar 60.000 milhões de Euros em forma de assistência, empréstimos e garantias a projectos radicados em África, Tajani sugeriu que a “Europa deveria aspirar como mínimo a isso”.

A UE concentra até agora 40% dos investimentos no continente (291.000 milhões de Euros em 2017, de acordo com dados da Comissão Europeia) e os países comunitários são o seu principal sócio comercial (243.000 milhões de Euros em intercâmbios também no ano passado). “Os europeus estamos investir, mas os chineses aumentam mais rapidamente os investimentos”, admitiu o ministro espanhol de Exteriores, Josep Borrell.